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Hentai: O Erotismo nos Mangás - Parte II

Hentai: O Erotismo nos Mangás - Parte II

Você sabia que o termo “hentai” é entendido de modo diferente no ocidente quando comparado ao Japão? Em japonês "hentai" não é especificamente um gênero de quadrinhos, mas sim a forma como é chamado qualquer tipo de desejo ou ato sexual perverso ou bizarro. Por exemplo, fora do Japão, um trabalho que descreve sexo gay vai ser chamado "yaoi hentai", mas no Japão seria apenas descrito apenas como "yaoi" isso ocorre devido a homossexualidade não ser considerada um tabu na sociedade japonesa. No entanto, pouco depois da Segunda Guerra Mundial houve a ocupação norte-america no país o que gerou intenso contato entre sua cultura e a cultura japonesa, de modo que a visão sobre conteúdos eróticos ou mesmo o que é ou não perverso/bizarro foi drasticamente afetado.

Neste momento, por volta de 1950, houve também um aumento do conteúdo erótico produzido pelo mercado editorial a nível mundial o que fez com que muitas medidas começassem a ser tomadas por diferentes países para tentar barrar tamanha expansão. Começaram a surgir leis para regulamentar a produção e a venda de conteúdo erótico, diretrizes de censura, debates sobre limites dentro da pornografia foram iniciados, entre outras... O avanço da tecnologia foi um grande aliado para que o mundo começasse a falar sobre o tema, mas foi também um grande inimigo pois contribuía para expansão do mercado ilegal.

Bom, mas agora vamos dialogar sobre a censura em especificamente. Em 1907 foi incluído no Código Penal do Japão o artigo de número 175 o qual permanece praticamente inalterado até hoje. Este artigo afirma que pessoas que vendem ou distribuem materiais obscenos podem ser punidas com multas ou prisão pela lei, no entanto, se o material seguir as regras de censura propostas pela legislação esta não poderá ser enquadrado no artigo 175. A censura afirma que é proibida a exibição de genitálias masculina e feminina e pelos pubianos, ambos devem ser censuradas através de tarjas ou pixels de modo que impossibilitem sua visualização. No entanto, com uma restrição tão simples, ficou aberta a brecha para a produção de filmes e mangas que, apesar de cumprirem este critério, expressavam livremente diversos atos sexuais incomuns e bizarros como estupro, bondage ou zoofilia especialmente por volta da década de 1960. Um fato curioso a se destacar quanto a produção de conteúdo exclusivamente homossexual, no início este era duplamente orientado, ou seja, trazia enredos lésbicos e gays com diferentes níveis de erotismo visando tanto para o público feminino quanto masculino, já que o tema era tratado com naturalidade no país. Após a ocupação norte-americana e especificamente a partir de 1970 esta produção passa a se voltar mais para produção de conteúdo lésbico, fetichizando este tipo de relação, buscando atingir um publico masculino cada vez maior e internacional.

Com a pressão da censura, mangakas começaram a buscar maneiras de burlar o sistema e em 1986 o autor Toshio Maeda consegue fazer isso ao representar em sua obra Urotsudoshi cenas de atos sexuais entre mulheres e tentáculos. A partir disso começaram a surgir muitos trabalhos contendo relações sexuais entre mulheres e monstros, demônios, robôs ou alienígenas, cujos órgãos genitais “pareceriam” diferentes do pênis. Outra curiosidade é que este tipo de trabalho erótico não só foram os primeiros títulos legalmente importados para a América e a Europa, mas também os primeiros a fazerem sucesso fora da Ásia.

Nos anos seguintes, após muitos debates a nível mundial envolvendo órgãos como UNICEF e as Nações Unidas sobre pornografia infantil e como combatê-la, é criado um novo fenômeno no Japão. Em 1990 passam a existir cada vez mais mangas cujas personagens femininas eram descritas como maiores de idade e, no entanto, possuíam uma aparência extremamente infantil e nenhum pelo pubiano quando mostradas nuas (Lolitas). Sobre este tema controverso é possível citar aqui o lançamento Norte-Americano de La Blue Girl que alterou a idade da heroína de 16 para 18, removeu cenas de sexo com um ninja anão chamado Nin-nin enquanto no Reino Unido o título foi totalmente rejeitado pelos censores que não só se recusaram a classificá-lo como também proibiram sua distribuição.

Bom, a venda ou distribuição de mangás eróticos sem censura é proibida em todo Japão, e sabemos que cada país possui sua política de censura, mas, então como estes mangás chegam até nós?

E a resposta certa é pirataria! Quando os desenhistas produzem um mangá são raros até hoje aqueles que deixam de desenhar as genitálias pensando que serão censuradas. Uma vez o mangá pronto sua censura é parte final da produção, podemos assumir então que existe a versão sem censura e esta normalmente é preferida por países como EUA cujas regras são mais brandas. Assim, as versões “finalizadas” são vendidas para editoras estrangeiras para que elas por sua vez decidam “em que” e “como” irão aplicar a lei de censura de seu continente.

Achou interessante? Estranho? Então confira os títulos que temos na Rika para se familiarizar com o assunto. Boa leitura!

E leia também a primeira parte desse artigo:

Hentai: O Erotismo nos Mangás - Parte 1

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